História da ginástica em Moçambique
Segundo podemos testemunhar através do registo da bibliografia dos ginastas referencia, a ginástica em Moçambique havia atingido patamares elevados, com a conquista de medalhas ao nível das competições entre colónias portuguesas. Destaca se também a Massificação da ginástica através do projecto do “caniço” que incluía ginásios ao ar livre nas escolas das zonas suburbanas da cidade de Maputo
São registados dois grandes desaires da historia da ginástica em Moçambique, o primeiro regista se em 1975 com a saída dos portugueses da Moçambique, pois a estrutura associativa da modalidade que era essencialmente gerida pelos mesmos, de desmembrou, facto que deixou a ginástica sem governo no pais e muitos ginásios foram reconvertidos em outras instituições sociais e o equipamento destruído. (EDMUNDO e MUSSA, 2013)
Quando parecia começar a existir luz no fundo do túnel para o desenvolvimento da modalidade nos pais com a saída dos técnicos alemães a modalidade sofre o segundo revés pelo facto de que o projecto alemão ter sido desenvolvido em uma Escola e ser suportado por apenas um clube. (EDMUNDO e MUSSA, 2013)
Podemos considerar que as estruturas organizativas para o desenvolvimento da modalidade ao nível nacional praticante deixaram de existir em Moçambique entre 1975 e 2008, ou seja o desenvolvimento da modalidade esteve estagnado cerca de 30 anos, com excussão da utilização da ginástica para exibições durante as cerimónias da abertura e encerramento dos festivais de jogos desportivos escolares de 2 em 2 anos. (EDMUNDO e MUSSA, 2013)
Com objectivo de descrever a História da Ginástica em Moçambique antes e depois da nossa independência, entrevistamos algumas individualidades que se destacaram na ginástica na era colonial e na actualidade no sentido de procurar saber o que aconteceu realmente no passado da ginástica, assim como consultamos outras fontes materiais que ajudaram a contar a historia da Ginástica no Pais antes e depois da Independência.
Ginástica no Mundo
A ginástica desenvolveu-se efectivamente na Grécia antiga, a partir dos exercícios que os soldados praticavam, incluindo habilidades e também acrobacias.
A palavra Ginástica, surgiu do grego Gymnastiké, que é a arte de fortificar o corpo e também dar-lhe agilidade. Ela se tornou um desporto olímpico a partir da Grécia, pois os gregos começaram a utilizar nas Olimpíadas de Atenas no ano de 1896, mas só para os homens. E foi no ano de 1928 que a participação das mulheres foi liberada em Amsterdã.
Como foi citado no começo do texto a ginástica é classificada em duas modalidades, as competitivas e não competitivas. Entre as competitivas estão:
- Ginástica acrobática: que tem como objectivo fazer acrobacias de forma que se tenha habilidade, força, equilíbrio, flexibilidade e também é realizada em equipa;
- Ginástica artística: também é uma forma que se deve ter força, equilíbrio e habilidade, um exemplo, é o cavalo de alças;
- Ginástica rítmica: esta modalidade envolve movimentos em forma de dança em variados tipos e dificuldades e também com a utilização de pequenos equipamentos;
- Ginástica de Trampolim: nesta modalidade são usados um e dois trampolins para um ou dois atletas que devem executar uma série de dez elementos;
- RopeSkipping: O RopeSkipping é o aperfeiçoamento e aproveitamento desportivo de um gesto simples e já praticado pelos nossos antepassados: Saltar à corda.
A Ginástica deu-se origem em 1881 com a denominação de Federação Europeia de Ginástica.
Em 1953, realizou-se o Festival Internacional de Ginástica que acontecia na Suécia, organizado pelo belga Nicolas J. Cuperus, que demonstrava mais interesse pelos festivais de ginástica, do que pelas competições. Após este festival, vários representantes de diferentes países da faixa central da Europa, começaram a pressionar mais intensamente a FIG (Federação Internacional de Ginástica) a fim de que essa instituição voltasse a olhar com mais dedicação para a ginástica fora do âmbito competitivo. Em consequência desta pressão em 1979 foi criado um Comissão de Trabalho de Ginástica Geral e, cinco anos mais tarde, foi oficializado o Comité Técnico de Ginástica Geral actualmente chamada de Ginástica Para Todos – da FIG com a finalidade de uma modalidade não competitiva.
Um evento tradicional da FIG, área da Ginástica para Todos foi realizado para divulgar a ginástica em outros países.
Neste evento as manifestações apresentadas são relacionadas com a esfera da ginástica orientada para lazer e engloba programas de actividades no campo da ginástica (com e sem aparelhos), dança e jogos, conforme as preferências nacionais e culturais.
Ginástica em Moçambique: Antes da independência
Apresentamos alguns Ginastas e Promotores da Modalidade antes da Independência que se destacaram (MUSSA, 2013)
| José Craveirinha – Nasceu no dia 28 de Maio de 1922, na cidade de Lourenço Marques no Bairro chamanculo. Alem da actividade jornalística foi pulsionador do desenvolvimento de varias modalidades desportivas dentre elas a ginástica, sob sua direcção organizou festivais de ginástica de grande qualidade no pavilhão da malhangalene e de Sporting: A classe de ginástica da associação africana de Moçambique (AAM), desenvolveu um amplo movimento nas províncias de Gaza, Inhambane, Manica, Nampula e Cabo Delgado.
A sua luta contra a igualdade dos homens, e uma formação antedata sólida conferiram lhe uma visão nacionalista desportiva que o levaram a propor o presidente da AAM, Sr. Francisco DYHAN a formação de uma classe feminina de Ginástica Geral em 1952 e mais tarde, em 1957, foi constituída a primeira classe masculina de ginástica artística. Como corolário do trabalho iniciado e desenvolvido por José Craveirinha, em 1963, uma delegação desportiva escalou e exibiu se nos melhores ginásios de Portugal. Em 1968 uma equipa da Classe ginástica da AAM foi ao Portugal vencer os campeonatos nacionais de ginástica de 1968. |
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| José Craveirinha ( Filho ) – Nasceu no dia 6 de Junho de 1961, na cidade de Lourenço marques. Como atleta da classe de ginástica Desportiva, participou numa digressão pelas cidades da beira, Nampula, ilha de Moçambique e porto Amélia. Esteve ainda em vários eventos de demonstração em Quelimane, i
Inhambane, João Belo e c Chibuto. Em 1963, fez parte igualmente da delegação desportiva da AAM que se deslocou a Portugal. |
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| Inês Albasine – Nasceu no dia 8 de Julho de 1912 em Lourenço Marques. Participou activamente no desenvolvimento da modalidade de ginástica, prestando serviços relacionados ao desenvolvimento da condição física, em manutenção da disciplina e auxilio medico e controle nutricional das classes de ginástica feminina. Esteve presente em todos eventos realizados pela AAM. | |
| Agueda Abrantes de Sousa– nasceu no dia 11 de Agosto de 1939 em Lourenço Marques. Em 1955, fez parte da primeira classe de ginástica artística feminina. Participou em vários eventos realizados pela AAM em Lourenço Marques e integrou a equipa que se deslocou a Quelimane e Lisboa. Participou nos jogos Luso-Brazileiros que tiveram lugar em Lourenço Marques em 1970. | |
| MargaricaCaliano da Silva – nasceu no dia 20 de Março de 1938 em Lourenço Marques. Em 1955, fez parte da primeira classe de ginástica artística feminina.
Participou em vários eventos realizados pela AAM em Lourenço Marques e integrou a equipa que se deslocou a Quelimane e Lisboa. Participou nos Luso-Brazileiros que tiveram lugar em Lourenço Marques em 1970. |
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| Lazaro Guiliche Sengo – Nasceu no dia 23 de Setembro de 1948 em Lourenço Marques. Em 1965 iniciou a sua actividade na classe de ginástica da AAM. Fez parte da delegação que venceu os campeonatos nacionais de ginástica em Portugal em 1968. Em 1975 contribuiu para o relacionamento da pratica da ginástica no centro associativo dos negros (Tsindza). Entre 1979 a 2001, pertenceu ao corpo dos professores do instituto Nacional de Educação Física. Foi promotor de programas de ginástica na RM e TVM. | |
| Mariano Matsinha – Nasceu em 1937, na província de Tete. A partir de 1956 começa a frequentar o centro Associativo dos negros ( Tsindza) fez parte da classe das selecções de ginástica que abrilhantaram o publico da época. | |
| YolandaTaju – Nasceu em 1949, Benone e veio viver muito cedo em Lourenço marques, no bairro da Mafalala. Participou em vários eventos realizados pela AAM em Lourenço Marques; foi parte integrante da equipa que se deslocou a Quelimane, Lisboa e fez parte dos jogos Luso-Brazileiro que tiveram lugar em Lourenço marques em 1970. | |
| Nuno Abrantes de Sousa – Nasceu no dia 21 de Abril de 1921 na cidade de Lourenço Marques. Foi ginasta e exerceu funções de treinador no ginásio de Lourenço Marques. Catabiliza se como promotores de eventos em Lourenço marques, João belo, Inhambane, Quelimane e Lisboa. Fez parte da delegação que venceu os campeonatos nacionais em Portugal de 1968. | |
| António Mascarenhas – nasceu no dia 29 de Janeiro de 1939 em Lourenço Marques. Em 1957,integrou a primeira classe de ginástica da AAM, tendo participado em todos festivais saraus e digressões de divulgação da AAM ate 1960, foi o primeiro ginástica da classe a executar uma saída de mortal na barra fixa. | |
| Adriano Sumbana – Nasceu no dia 27 de Abril de 1939 no distrito da Manhiça. Fez parte do Tsindza. Organizou vários espectáculos gymnicos durante a sua estadia em Nampula onde prestou serviços militares, na cadeia colonial notabilizou se por ministrar exercícios físicos a mais de 70 reclusos com quem partilhava a mesma cela. | |
| Alfredo Caliano da Silva – Nasceu no dia 26 de Maio de 1941 tendo iniciado a prática de ginástica num ginásio da Mafalala. A partir de 1955 fez parte da AAM tendo participado em saraus de divulgação realizados em Lourenço marque, ilha de Moçambique, João belo, porto Amélia, Chibuto e na histórica viagem em Portugal em 1966. |
MussaTembe Atleta que Mais se destacou antes da independência Campeão de Ginástica em 1968, Nascido no dia 4 de Dezembro de 1948 em Lourenço Marques, no bairro de Muculula próximo a Mafalala.
“Assim como outras grandes individualidades do desporto em Moçambique começaram por praticar o futebol só mais tarde e que MussaTembe veio a praticar a ginástica, e conta nos na primeira pessoa como foi o seu percurso no Mundo da Ginástica no período colonial ate os dias de Hoje. De referir que MussaTembe e actual presidente da Federação de Ginástica de Moçambique tomou posse em 2016 substituindo o Edmundo Ribeiro que foi o Primeiro Presidente da FGYM.
Diz Mussa Tembe, Eu vou a Ginástica por mero acaso, e antes da ginástica praticava futebol atletismo, Foi ao futebol por convite de Miguel dos Santos que era um treinador de futebol. Na altura haviam Barcos brasileiros, que espalhavam samba por todos o lado e nos divertíamos imitando eles, dançando e , o João domingos nos convida ara participar num show, e foi lã onde pela primeira vez um Ginásio, Na Associação africana de ginástica realizavam se as seguintes actividades, dança, Teatro e Musica, e nos realizávamos essas actividades. Só que depois dos nossos ensaios nos subíamos e imitávamos os ginastas que lá treinavam, fintávamos o guarda e treinávamos na ausência do treinador. Um dia desses o Guarda informou o responsável Taju, Esses miúdos quando os ginastas terminam de treinar eles sobem e treinam e eles são bons. E um dia o treinador veio e encontrou nos a treinar, a saltar nos tabeles e ele disse, não precisam treinar as escondidas amanha podem vir se juntar aos outros ginastas.
No dia seguinte eu estava lá com o meu equipamento de ginástica pronto para treinar. E foi assim que entrei na ginástica, Não fui levado pelos meus Pais. E quando entro na Ginástica encontro o Cândido coelho, Humberto, Chiquito, Carlos Alberto, Francisco Osias, Zeca Craveirinha, Manuel Alves, Caliano da Silva, Arlindo correia, Toni entre outros. Os atletas que encontrei não chegaram de participar em nenhum campeonato porque nunca tinha havido, só haviam participado em saraus que eram realizados no Estrela., e foi onde eu me estriei.
A era da competição começa com Carlos Abreu que foi campeão de Portugal e da península hebraica, ele veio aqui pelo serviço militar obrigatório e seu Hoby era ginástica.
Ele encanta se pelo trabalho que a AAM estava a realizar, e passou a apoiar ajudando o Nuno Abrantes, O Nuno já tinha ideias do regulamento das competições de Ginástica o que nos ajudou na nossa preparação.
Eu destaco me por dominar todos os aparelhos da ginástica artística, de seguida Carlos Alberto, Bento, Manuel Alves. Depois de ver o nosso talento o Nuno começou a incentivar os outros para a nossa participação no campeonato nacional de Portugal, Mas também há factores que contribuíram ara a nossa ida, como a guerra estava a apertar e Portugal queria aparecer como quem de facto esta a dar liberdade aos negros já estavam a fazer cedência em algumas coisas. Quando chegamos ao Portugal nos hospedamos em casa do treinador Nuno.
Na altura íamos treinar de comboio dias antes do campeonato, e no dia da competição antes de terminar o campeonato eram 2 atletas, se eu perdesse ficava em segundo, e o atleta que havia ficado comigo era um branco ate hoje ainda me comunico com ele.
Fui recebido com um presidente no aeroporto, Jornais, Rádio, não havia TV na altura. Fomos ao palácio, secretaria da educação física que ficava no Repinga.
E depois da competição só actuamos aqui dentro do pais, O Presidente Samora fechou os principais centros de que praticavam Ginástica, Nacionalizou os Locais. “
Depois da Independência a partir de 1978
Logo Depois da independência também tivemos o privilégio de entrevistar um dos homens que foi Instrutores e impulsionador da ginástica em Moçambique. Estamos a Falar de Edmundo Roque Ribeiro que Nasceu em Lourenço Marques no Bairro de Xipamanine, e conta nos como foi a sua historia no mundo da Ginástica. De Referir que Edmundo ribeiro foi o Primeiro Presidente Da Federação de Ginástica em Moçambique
“Não me Recordo como entro na Ginástica, eu cresci no Xipamanine ate 1975, ia assistir os mais velhos na AAM mas não comecei nessa altura, só nos anos 1978 comecei a fazer ginástica no Ginásio de Maputo, Mas primeiro fiz judo e fiquei lã uns 6 mês, e depois passei para ginástica.
Não cheguei de participar em competições de ginástica em Moçambique, porque logo depois da independência deixaram de existir competições assim como associações. E como os principais técnicos eram portugueses depois da independência foram embora e toda a estrutura deixou de existir por isso nunca participei em competições em Moçambique, Mas participou em competições universitárias em Bulgária.”
Projecto de Ginástica da “ RDA” (EDMUNDO e MUSSA, 2013)
Lisa e Heinz, durante os 5 anos que estiveram em Moçambique, formaram e transmitiram aos técnicos auxiliares Moçambicanos ( Edmundo, Mussa, Silvio, Elias, Felizardo, Albino, Pedro, Carlitos entre outros ) a experiencia do bem sucedido e eficiente sistema desportivo alemão, que integrava a selecção de talentos, a preparação física e o treinamento em ginástica associado ao acompanhamento a educação cívica, a solidariedade e ao desempenho escolar dos atletas.
O projecto aplicado a cerca de 60 ginastas divididos em 3 grupos especiais, envolvia um estreita ligação com os encarregados de educação, a direcção da escola primária de Maxaquene, INEF (instituto nacional de educação física) e o clube desporto da Costa do sol.
Através da realização de sessões d treino diário, o Projecto rodízio num curto espaço de tempo ginastas com elevados níveis técnicos de Ginástica artística Desportiva. Ginástica Rítmica Desportiva e Ginástica Geral que encataram o publico na década de 80, destacando se a realização de competições e exibições regulares de ginástica na cidade de Maputo.
Um grupo de atletas dos mais talentosos (Kishua, Ivo, Lúcia, Cecilia, Drofe e joscelino) teve o privilégio de estagiar durante 30 dias em Leipzig infelizmente o Projeto desmoronou se com o regresso do casal a Alemanha por força da queda do Berlim.
No que concerne a este projecto tivemos o privilégio de entrevistas um dos atletas que se destacou no projecto da RDA, Kishua Guilhermino Otelio Maurício que contou nos na primeira pessoa a sua história na Ginástica.
Diz Kishua, “Havia um projecto alemão em 1985, ligação escola comunidade e nessa altura eu estava a frequentar a 1ª classe na escola primaria de Maxaquene, e eles surgiram na minha turma e fizeram a selecção dos estudantes para fazerem parte do projecto e eu tive o privilégio de fazer parte deste Grupo. De seguida fomos direccionados a INEF onde decorreram os nossos treinos, e passado do tempo os treinadores foram diminuído os atletas de acordo com a inclinação dos atletas, só acabaram ficando atletas que tinham talento para aquela área. Em relação aos nossos treinos, Material nos tínhamos ajuda dos alemães em parceria com costa do sol. O Material na altura era precário quando comparado com o material moderno, todo o nosso material não era adequado, no que diz respeito a carga horária dos treinos acho que não era puxado nos saiamos da escola para casa tínhamos tempo de descansar e almoçar e depois e que seguíamos para os treinos.
Os meus pais primeiramente não estavam a favor da minha participação por causa dos mãos resultados que eu apresentava na escola e achavam que duma forma o projeto podia me prejudicar na escola mas depois foram abrir a mão, Porque os instrutores se aproximaram a minha casa e conversaram sobre os objectivos do projecto e meus pais passaram a apoiar me.
Em relação ao intercâmbio com outros países não chegamos de ter muitos porque as nossas competições eram internas. Mas tivemos o privilégio de viajar a Alemanha para aumentar os nossos conhecimentos na área da ginástica artística desportiva, estiveram comigo nessa viagem a Alemanha cerca de 7 atletas, Drofe, joselino, Cecília, Lúcia, Ivo, os outros não me lembro. Os atletas que encontramos na Alemanha já estavam muito avançados, acho que era devido ao acompanhamento que eles tinham assim como o Material que eles usavam.
Quando voltamos a Moçambique fomos um exemplo ara os outros atletas que não tiveram a mesma oportunidade, era difícil compartilhar com eles o que aprendemos porque éramos crianças, acho que na altura tina 12 anos mas demos o nosso máximo para compartilhar com os colegas.
Depois da viagem abrilhantamos os Moçambicanos com as nossas demonstrações, nas inaugurações de infra-estruturas desportivas e nas aberturas de eventos desportivos por exemplo a FAVEZAL em Quelimane.
Os Momentos mais marcantes para mim eram as competições de Ginástica, porque todos sabiam que a medalha de ouro ficaria com Migo (Risos) e por isso as competições foram muito marcantes para mim, eram muito engraçado lembro me de um episódio que de tanto estar cansado de receber a medalha de ouro acabei trocando com alguém do segundo lugar porque achei que devia ter medalha de rata na minha colecção (Risos) acho que troquei com Issufo.
Infelizmente o projecto terminou enquanto ainda precisávamos de um acolhimentos, portanto começaram a se desfazer os técnicos, uns tiveram que seguir com a sua formação fora do Pais que e o caso de Edmundo Ribeiro entre outros, a ida dos Alemães. Quando eles foram as coisas foram se degradando.
Mas eu e alguns colegas tentamos dar continuidade, treinando nossos próprios grupos mas não fomos muito longe.
Hoje me sinto triste a Ginástica se foi, Eu fiz a Gestão desportiva na UP, fiz cursos da actividade física, Musculação e alguns cursos da FGYM e agora estou direccionado na área da Musculação.”
Nova Época da Ginástica 2004 em Diante
A nova época da Ginástica começa o Professor Edmundo Ribeiro, que introduz uma nova modalidade no Pais (RopeSkipping), ele falou nos na primeira pessoa como as coisas começaram:
“ Tudo começa com um convite que o comité olímpico recebeu da África do sul, e esse convite veio ate mim, a África do sul mandou um correio electrónico ao comité olímpico explicando que haveria um formação de salto a corda que era uma modalidade nova que havia uma ideia de ser introduzido na África austral.
Manifestei interesse e pedi apoio a Universidade e assim fui a África do sul e a formação foi orientada pelo Maarten Goedeme (Belga).
Como sempre defendi que quando temos um conhecimento temos que partilhar com os outros eu sendo um professor universitário fiz a formação de Rope Skipping quando voltei tive que partilhar com os meus estudantes, e quando vi o Rope Skipping percebi que era uma modalidade barata em relação a ginástica artística. Foi como uma Luz que tivesse surgido no fundo do túnel, nos não tínhamos federação, a ginástica estava morta na altura e quando vi o Rope skipping percebi que era uma modalidade que vinha responder com o que nos precisávamos para desenvolver a ginástica, portanto passei os meus conhecimentos aos meus estudantes.
O meu argumento para introduzir o rope skipping na faculdade foi através da ginástica de base porque o salto a corda faz parte da ginástica de base, transmiti isso aos meus estudantes e obriguei os meus estudantes que aplicassem isso nos distritos onde eles estivesses quando estivessem de férias e viesse apresentar os relatórios, e quem apresentar relatório bom tinha uma nota extra.
E nessa altura tive o privilégio de estar como Colaborador do Gabinete da primeira-dama, e coloquei lá o projecto e então começaram a fazer formações em todo os pais, aconteceram varias coisas boas ao mesmo tempo que ajudaram a desenvolver o Rope Skipping. E outra felicidade nessa altura foi convidado a fazer revisão dos programas escolas de educação física e aproveitei e coloquei o Rope Skipping dentro dos programas de Educação Física. Com essas coisas foi fácil fazer o RopeSkipping desenvolver.
A mim o que me incomodava era o facto de a Ginástica ser como Modalidade dos Ventos que só aparecia apenas nos festivais de abertura e enceramentos. As pessoas trabalhavam com varias crianças e as crianças desapareciam assim que o evento terminava.
Eu senti que a modalidade foi bom aceite na cidade de Maputo, pelos alunos e pela sociedade em geral foi fácil realizar a primeira competição de RopeSkipping em Maputo, que teve lugar no Maxaquene actual USTM.”
Ainda nesse Período vamos olhar o lado dos primeiros praticantes de RopeSkipping em 2004
A primeira competição da Ginástica contou com 10 escolas da cidade de Maputo, que competiram entre elas, dentre essas escolas destacou se a Escola Primaria do Segundo grau do Noroeste 2, treinada pelo professor Natural Cabral Tembe que na altura era Estudante do Dr Edmundo Ribeiro no INEF. As Suas equipas ocuparam de 1 a 3º Lugar pódio na categoria de primeiro escalão.
Vamos contar o percurso desses atletas começando os primeiros atletas que começaram a praticar em 2004, neste a caso fizeram parte da primeira experiência, e para contar essa historia convidamos Elves Domingos Tembe para contar na primeira pessoa como entrou na ginástica ( RopeSkipping),
“ Tudo começou quando tinha sensivelmente 11 anos e estava a frequentar a 6ª na escola primaria do Noroeste 2, o meu chefe de turma veio e disse que o professor de Português na Altura Natural Tembe precisava de voluntários para praticarem ginástica, e levantei o braço dando o meu nome. Os nossos treinos aconteciam logo depois das aulas.
Foi uma surpresa quando vimos que podíamos saltar corda de uma forma diferente, no inicio éramos muitos mas as pessoas foram diminuído alegando que saltar corda era coisa de menina. Depois de meses de treino a nossa equipa ganhou um torneio que teve lugar na Escola Secundaria Josina Machel isto em 2004. No ano seguinte entrou o segundo grupo, ai a competitividade aumentou, nos não nos preocupávamos com outras Escolas, pois elas apresentavam baixo nível e cometiam muitos erros com a corda. A maior competição era entre nos mesmos tanto que chagávamos a ocupar de 1 a 3º lugar do pódio e em algumas competições a nível da escola chegaram a pediram que oferecêssemos um/a taça ao 4 lugar.
Infelizmente na minha equipa fui o único que ainda pratico a modalidade e da equipe que mais tínhamos medo, que foi do segundo grupo. Neste caso começaram em 2005 o único que ainda esta na Modalidade e o Aristides João Nandza.”
Aristides Joao Nandza,atleta do segundo grupo ( 2005) conta a sua historia na Ginástica
“ Entro na ginástica por convite de uma amiga (Márcia Fernando) minha vizinha na altura, já havia recebido o convite pelo meu professor Natural Tembe, mas não aceitava. Quando a minha amiga fez o convite eu decidi ir ver o que era, no primeiro dia não gostei porque só de começar a saltar os outros me chamavam de Maricas, mas devido aos exercícios que os meus colegas faziam aquilo criou um interesse em mim, eu disse a mim mesmo, Posso ate desistir mas depois de conseguir fazer esses exercícios lembro me que era Salto duplo e Criss Cross. Na altura nos saltávamos com fios, fui ficando no grupo aprendi e na medida que eu participava dos treinos dava me vontade de voltar.
Passado de alguns dias o nosso treinador começou a apostar num grupo de 6 atletas, então aquilo criou uma responsabilidade porque ele passou a confiar em nos para formar a sua equipe para a competição entre escolas. Ao andar do tempo o treinador passou a atribuir nas responsabilidades de orientar os outros atletas, e isso deu me forca quando orientava os outros quando me percebi já era fase de preparação para a primeira competição e eu fazia parte da melhor equipa. E outra coisa que me manteve foi quando conheci os primeiros saltadores eles eram muito bons e eu disse, quero ser como um deles.
Infelizmente perdi na minha competição mas na segunda fiquei em primeiro e realizou se na Escola Secundaria Francisco Manyanga.”
Período 2006 ate 2008 continuamos a treinar e a participar em competições escolares.
Em 2009,começa uma nova época a Ginástica estreia nos jogos Desportivos escolares como uma Modalidade experimental e Foi criado um grupo com os melhores saltadores da Cidade de Maputo que Chamou se Roppers o grupo foi criado pelo Estudante da Faculdade de Ciências de Educação Física e Desporto, Alexandre Pedro Chauque
Surgimento dos Saltadores que fizeram parte e ainda fazem parte dos MozTigers
Moz Tigers Rope Skipping Club
Biografia
Surgimento dos Saltadores dos MozTigers
O primeiro saltador dos MozTigers surge em 2004 com a introdução do ropeSkipping em Moçambique. Elves Domingos Tembe (23 anos de idade), na altura, estudava na Escola Primária do 2o Grau Noroeste 2 e o seu primeiro treinador chama-se Natural Tembe. Juntos foram campeões de salto a corda e melhor treinador, respectivamente, no I Torneio de RopeSkipping realizado na Escola Josina Machel.
Em 2005, surgiram dois saltadores, Arsénio António Penga e Aristides João Nandza, ambos com 24 anos de Idade. Arsénio e Aristides pertenciam a mesma equipe e escola (E.P2 Noroeste 2) e também treinados pelo professor Natural Tembe. Eles participam da primeira competição de ropeskipping que envolveu 10 escolas da cidade de Maputo e ocuparam o segundo lugar.
No ano seguinte, surgiram mais dois saltadores, Ricardo Adélia Sitoe (22 anos) e Márcia Jaime Miambo (21). O Ricardo foi campeão em todos os anos que competiu nos jogos escolares no seu escalão enquanto a Márcia começou a ser Campeã de 2008 até ela terminar de competir nos Jogos escolares.
Formação da equipe
Anos depois, concretamente em 2009, o professor Alexandre Chauque, na altura estudante da Faculdade de Educação Física e Desporto – UP, descobriu o talento desses Jovens saltadores e teve a brilhante ideia de juntar os melhores saltadores e formou uma equipe que se chamou OS ROPPERS. Esta equipe era composta por 11 atletas e, meses depois, ao convite do capitão da equipe, ElvesTembe. Os Roppers viriam a contar com mais duas atletas, dentre elas, a Márcia Miambo.
Após o regresso dos IX Jogos Escolares, Lichinga 2009, Alexandre Chauque, promoveu vários shows sendo os mais descados: em Namaacha, ilha de Inhaca, Matola e o show no Colégio Arco Ires em Maputo.
Em finais de 2010 o grupo começou a enfrentar várias crises que, viriam mais tarde, culminou com desaparecimento do grupo isso devido à actividades escolares de alguns atletas assim como à indisponibilidade do treinador.
Em 2011, depois duma visita de um treinador sul-africano, o país teve a oportunidade de concorrer para o Torneio Internacional de DoubleDutch(Paris) que é uma Competição que, dentre várias provas de Rope skipping, engloba provas de velocidade e de freestyle, ambas provas em duble dutch (duas cordas), onde a Federação de Ginástica de Moçambique (FGYM) encarregou o Saltador ElvesTembe de Fazer a seleção dos atletas para o Concurso.
Eis os saltadores selecionados: Arsénio Penga, Márcia Miambo, Ricardo Sitoe e ElvesTembe, essa equipe gravou um vídeo com apoio do Edmungo Ribeiro na altura Presidente da FGYM e enviou para a Federação Francesa de salto a corda e foi aprovada para a competição internacional de salto a corda.
Em Outubro de 2011, a equipe Moçambicana acompanhada pelo presidente da FGYM Edmundo Ribeiro participou do IDDC e tendo sido considerada a melhor equipe africana, apesar de não ter subido ao pódio os nossos resultados foram superiores comparados com os países africanos que lá estiveram. E ocupamos 11º e 14º Lugar num universo de 19 equipas.
Os Tigres Moçambicanos ( Moz Tigers ) foram baptizados pela primeira vez numa competição de batalha Moçambique ( Moz Tigers) vs Franca ( EBENE) foi nesta batalha que foi anunciando o nome que todos nos chamam Hoje MOZ TIGERS.
MozTigers
Depois de voltar da França, a equipa contou com mais um saltador, Aristides João Nandza. E Arsénio, devido à várias ocupações e problema do braço, deixa de saltar corda como atleta de profissão e passa a ajudar a equipa não só tecnicamente, mas também na criação logo dos Moz tigers.
Desde a sua formação, os Moz Tigers tem participado em vários eventos e várias competições de Rope skipping não só em Moçambique, mas também para o estrangeiro, como na África do Sul onde teve várias medalhas de ouro na prateleira; os Moz tigers destacam a sua participação conjunta com o Ginásio Physical na competição mundial de ginástica geral, Cape Town 2013.
Em 2014, Os MozTigers voltaram a França e fizeram história com 2 troféus de prata no campeonato internacional de Doubledutch em Paris. No ano de 2015 a federação francesa convidou a participar no campeonato Mundial de salto a corda em Paris. E a delegação era composta por 4 atletas e um dirigente Nomeadamente , Aristides, Elves, Marcia e Ricardo, acompanhados por Edmundo Ribeiro.
Participação Internacional 2012 a 2015.
E desta forma a Ginástica voltou a proporcionar momentos de alegria no Pais não so no ropeskipping, enquanto o ropeskipping crescia as outras áreas de ginástica faziam o mesmo.
Passamos a apresentar momentos de gloria que tivemos em outras áreas de Ginástica.
Marcia jaime Miambo
- Campeã de GinásticaAeróbica nos Jogos da Zona 6 realizados em pretoria no ando de 2012
Piratas Clube de Ginástica na zona 6
- Primeira vez a participar no campeonato de Ginástica Artística e conquistaram cerca de 14 Medalhas.
E o Momento mais Marcante na Historia da Ginastica Foi :
MOÇAMBIQUE PELA PRIMEIRA VEZ NO MUNDIAL DE SALTO À CORDA E VENCE
A selecção nacional de salto à corda, composta por cinco atletas, nomeadamente Aristides Nandza, Elves Domingos, José Júnior Tavete, Ricardo Sitoe e Zefanias Magaia sagrou-se campeã do mundo na especialidade de “DoubleDutch”, também conhecida por salto acrobático à corda, ao ocupar a primeira posição no certame que decorreu na França entre os dias 21 e 26 do passado mês de Julho.
Diferentemente das outras modalidades em que quando partem para uma competição internacional os atletas beneficiam da ajuda de custo, os cinco acrobatas nacionais que se fizeram ao Campeonato Mundial de Salto à Corda, realizado no pretérito mês de Julho, na França, não tiveram pocketmoney, mas conseguiram conquistar um dos troféus do Mundial de Rope Skipping, à frente de equipas dos Estados Unidas da América, China, Japão e França.
O combinado nacional, único representante do continente africano, conquistou um total de 13 medalhas, entre ouro, prata e bronze, assim como oito taças, o que culminou com a primeira posição na especialidade de salto acrobático à corda.
Segundo Mussá Tembe, presidente da Federação Moçambicana de Ginástica, apesar das dificuldades que enfrentaram ao longo da preparação e no decorrer da prova, os atletas, com muito sacrifício e acima de tudo humildade, conseguiram sagrar-se campeões mundiais.
“A Federação Moçambicana de Ginástica está orgulhosa do feito alcançado pela selecção nacional no Campeonato Mundial de Salto à Corda. Mesmo com as contrariedades, os atletas conseguiram representar condignamente as cores da bandeira nacional. Eles viajaram sem nenhum dirigente porque não tínhamos fundo para pagar as passagens. Alcançaram um feito inédito, graças ao sacrifício e humildade, acima de tudo”.
“Humildade e espírito de sacrifício culminaram com um título mundial”
Os ginastas nacionais foram informados de que fariam parte do Campeonato Mundial de Salto com Corda um mês antes do arranque da competição e tiveram que acelerar a sua preparação para o certame com recurso a sessões bi-diárias.
Ricardo Sitoe, de 21 anos da idade, um dos atletas que participaram naquela competição disputada na França, declarou que o título mundial alcançado pelo combinado nacional é o resultado do trabalho levado a cabo antes da prova.
“Não é uma tarefa fácil como muitos pensam, visto que fizeram parte do “Mundial” 23 países. Antes do arranque do certame fomos submetidos a eliminatórias para lutarmos por um lugar na grande final. Competimos em quatro provas, mas conseguimos o apuramento para a finalíssima em duas categorias”, disse Sitoe para depois acrescentar o seguinte. “Depois de nos qualificarmos para a derradeira fase da competição, fizemos um treino para reajustar as nossas coreografias de modo a exibirmos um excelente bailado na última fase. Felizmente, graças ao espírito de sacrifício e trabalho desenvolvido pelo grupo, conseguimos terminar a prova na primeira posição”.
Ricardo, que se iniciou na ginástica em 2005, ano em que a modalidade começou a ser praticada no nosso país, espera que depois destas vitórias surjam mais apoios. “Esperamos que o Governo ajude a expandir a modalidade nas restantes províncias. Gostaria que se praticasse o RopeSkipping nas outras parcelas do país da mesma forma que se treina o futebol”.
Prosseguindo, o nosso interlocutor declarou que antes do arranque da competição a Federação tentou bater portas de modo a obter o valor de ajuda de custo para os cinco ginastas, mas as suas aspirações foram “sol de pouca dura”, uma vez que nenhuma empresa manifestou disponibilidade de alocar o fundo e, por via disso, os acrobatas foram para a França de mãos a abanar.
“Não tivemos o pocketmoney. Antes da viagem para a França tentámos pedir ajuda ao empresariado nacional, mas não tivemos resposta. Face a isso, viajámos sem ajuda de custo. Na França as despesas inerentes ao transporte, à alimentação e ao alojamento foram custeadas pela organização da prova”.
“Missão cumprida”
Por seu turno, Aristides Nandza, atleta da selecção nacional, não conseguiu esconder a satisfação por ter conseguido conquistar o Campeonato Mundial de Salto à Corda. O atleta disse ao Verdade que está com o sentimento de missão cumprida, visto que naquela prova competiram com os melhores atletas do planeta e alguns deles são ídolos para eles.
“Antes do arranque da competição prometemos que íamos lutar para representar condignamente as cores da nossa bandeira. Competir com atletas experientes e com melhores condições que as nossas; porém, isso não nos desanimou mas sim serviu de motivação. Mostrámos ao mundo que, apesar das adversidades, em Moçambique existem acrobatas talentosos. Por aquilo que fizemos antes e no decorrer da competição, sentimo-nos com o sentimento de missão cumprida”.
Já Elves Domingos, atleta, treinador e /chefe da delegação moçambicana que se fez ao “Mundial”, mostrou-se feliz por ter superado países que apostam fortemente na modalidade e declarou que esta conquista é o corolário do trabalho feito pelo grupo nos últimos anos.
“No ano passado participámos numa competição internacional, também, realizada na França e terminámos na segunda posição. Depois deste feito começamos a trabalhar com o Campeonato Mundial de Salto à Corda, Rope Skipping, no horizonte e, felizmente, conseguimos terminar a prova em primeiro lugar. Este título é o corolário do trabalho levado a cabo nos últimos anos. Espero que depois desta conquista as pessoas que gerem o nosso desporto apostem mais nesta modalidade, porque, em termos de talento Moçambique, não deve nada a ninguém”.
Passado, Presente e Futuro da Ginástica em Moçambique
Autores: Edmundo Ribeiro; Maputo/Moçambique; Inês Fernandes; Maputo/Moçambique;
Inspiramo-nos no passado, colhendo as experiências de outrora para melhor gerimos o presente e prepararmos o futuro. Nesse âmbito, no presente artigo registaremos as experiências e ensinamentos mais marcantes do passado e as práticas do presente.
Passado.
O passado dividimo-lo em dois períodos: Antes e pós independência
No período antes da independência de Moçambique, destacamos os seguintes factos:
– Introdução da ginástica em Moçambique na década de sessenta caracterizado por uma prática com acesso restrito aos nacionais (negros moçambicanos),
– O sucesso obtido por alguns nativos ( Mussa Tembe e Lazaro Sengo) que não obstante as dificuldades tais como segregação racial, as míseras condições sociais em que viviam como nativos (o que de certa forma deve ter condicionado a alimentação, as condições de treino) devido a dedicação e afinco sagraram-se campeões não só a nível de Moçambique, mas também nas competições entre as colónias.
– O sucesso da prestação dos nativos para a ginástica levou as autoridades coloniais entre 1970 a 1974 a inserir a modalidade de ginástica artística no “projecto do caniço” nos bairros periféricos da Cidade de Maputo. O “projecto do caniço” era constituído essencialmente pela construção, de escolas pré fabricadas, de entre outros equipamentos desportivos, eram munidas de ginásios ao ar livre com aparelhos da ginástica artística masculina e feminina implantados no solo.
Aliando o sucesso obtido pelos campeões de ginástica acima referidos, nas condições em que o treino era realizado e tendo em conta os resultados obtidos no projecto de caniço, que apesar de ter sido muito curto registou uma rápida massificação da modalidade nas zona suburbanas, o gosto dos moçambicanos pela ginástica artística e a relativa facilidade na assimilação, leva-nos a supor a existência de uma provável predisposição do nativos para a ginástica que deveria ser aproveitada.
No período pós independência em 1975 realça-se :
– a destruição de toda a estrutura gímnica existente no período colonial, a degradação e desaparecimento de todos os ginásios ao ar livre, a ocupação dos ginásios localizados na zona urbana para outros fins, a interrupção de competições oficiais de ginástica
Não obstante, a situação vigente a veia da ginástica manteve-se , grupos informais de ginástica em várias provinciais do pais ao longo de mais de 30 anos tem continuado a prática da modalidade, na vertente da ginástica acrobática devido a falta dos aparelhos e acessórios da ginástica artística.
– Aproveitando um projecto do Instituto Nacional de Educação Física de Moçambique, designado LEC , ligação Escola Comunidade, destacou-se o projecto piloto do sistema de ginástica alemã, entre 1985 e 1989.
Este projecto tinha o auxílio de governo da Ex RDA (Republica Democrática Alemã), através do envio de aparelhos de ginástica e de técnicos que trabalharam no país durante a vigência do projecto acompanhados por técnicos moçambicanos.
O sistema era composto pelas seguintes etapas:
- Triagem (No pátio da escola)
- Observação e pré-selecção de crianças com 6 anos de idade com base em dados antropométricos (peso, altura, composição corporal e postura);
- 100 Alunos passavam à fase seguinte
- Pré-selecção
- Aplicação de bateria de testes (força – abdominal, membros superiores, membros inferiores; Flexibilidade – membros inferiores, membros superiores e tronco; agilidade)
- 60 Alunos eram seleccionados
- Selecção
- As crianças pré seleccionadas, durante 3 meses, foram submetidos a sessões de treino voltando a ser submetidos aos testes da pré-selecção 2 para se apurar o grau de evolução;
- Apuravam-se 40 crianças.
- Treino
- As crianças seleccionadas foram submetidas a um processo de treino diário de 2 horas, enfatizando o desenvolvimento das capacidades físicas, a domínio dos padrões básicos de movimento e execução de elementos técnicos nos diversos aparelhos existentes : barra fixa, paralelas assimétricas, salto de cavalo e solo.
Durante os cinco anos em que durou o projecto , anualmente se repetia o processo, enquanto que os grupos iniciais iam progredindo quanto ao grau de exigência e nível de dificuldade dos exercícios. Neste projecto além da ginástica artística desportiva masculina e feminina era praticada também a ginástica rítmica desportiva.
Acontecimentos sócio políticos, ocasionaram a interrupção abrupta do projecto ainda não suficientemente amadurecido. A queda do muro de Berlim fez regressar os técnicos alemães ao seu país, em 1989 cessaram os apoios do governo alemão, nos anos seguinte findou a integração do núcleo de ginástica ao clube que garantia os subsídios aos monitores, o Instituto nacional de Educação foi extinto e o equipamento de ginástica foi transferido para novas instalações, mal cuidadas acabaram por se deteriorar.
O projecto aplicou e introduziu uma nova filosofia, metodologia de treino que num curto espaço de tempo, mais uma vez provou a existência de uma facilidade dos moçambicanos para a ginástica.
Presente
Motivados pelos experiência do passado, professores, antigos praticantes da modalidade reunidos desde 2006 conseguiram criar e oficializar a Federação de Ginástica de Moçambique que tem como missão aglutinar todos os interesses da modalidade, reestruturar a modalidade, re-implementar e organizar competições nacionais de ginástica no país, estabelecer contactos internacionais e filiar Moçambique nos órgãos oficiais da modalidade e projectar o desenvolvimento futuro da modalidade em todas as vertentes.
Entre os vários projectos delineados pela FGYM, destacamos o projecto de “Ginástica Escolar para Todos”, que consiste em implantar actividades gímnicas nas escolas como actividade extra curricular na vertente competitiva e não só, desde os 06 anos aos 16 anos, para crianças e jovens normais e portadores de deficiência.
O projecto iniciou estrategicamente em 2006 com modalidades de baixos recursos materiais e financeiro, tendo sido eleita a modalidade de Rope Skipping “ Salto Acrobático e Corda”, por ser uma modalidade acessível em termos de conteúdo, material e espaço.
O programa de salto a corda inclui provas de velocidade e provas coreografadas podendo ser realizadas individualmente ou em equipas. O programa esta a ter um sucesso motivador, pois actualmente em todo o país, já se fala em ginástica ao nível escolar e nos festivais escolares, não só como uma actividade para abrilhantar as cerimónias de abertura e encerramento, como vem acontecendo desde 1980, mas como uma modalidade com personalidade própria.
O programa de provas inicia com competições entre turmas da mesma escola, passando-se a fase de competições entre escolas da mesma localidade, distrito e assim sucessivamente ate chegar-se à fase nacional. A ginástica estreou-se como modalidade de competição no Festival Nacional de Jogos Escolares Julho de 2009.
O sucesso da implantação do Salto a Corda, a nível escolar abre espaço para a introdução de mais modalidades gímnicas que não exijam muitos recursos na sua fase inicial, tais como a ginástica Aeróbica Desportiva e a ginástica Acrobática Desportiva (dois programa que se encontram em fase experimental da Cidade de Maputo)
Futuro
Caminhando em direcção ao futuro, contamos com a existência da Faculdade de Educação Física e Desporto, já com experiência acumulada na área da docência e pesquisa, com cursos de mestrados, laboratórios bem equipados, com óptimas condições em instalações e equipamento para a prática da Ginástica Artística Desportiva, Trampolins Elásticos, Acrobática Desportiva e Rítmica Desportiva, a FGYM pretende recuperar em linhas gerais o projecto de ginástica desenvolvido pela Escola Alemã, fazendo um projecto de selecção de talentos à semelhança do que foi feito nos finais dos anos 80, adequando-o à nova conjuntura e criar o Centro de Excelência em Ginástica, onde as crianças pré seleccionadas não só através desse projecto da selecção de talentos, bem como em campeonatos nacionais, possam preparar-se para integrar os futuros representantes da modalidade nas competições internacionais.
Moz Tigers
(Tricampeão do Mundo)
Equipa dirigida por Elves Domingos Tembe
Mestrado em Treinamento de Crianças e Jovens e licenciado em Educação Física e Desporto na Universidade Pedagógica, Atleta e Treinador da selecção nacional de salto acrobático a corda.
Competições internacionais dos representado Moçambique:
- 2017 – Pela terceira vez vencemos o campeonato Mundial nos EUA em Florida, este campeonato Mundial contou com mais de 800 saltadores vindos de 30 países em representação dos 5 continentes.
- 2017 – Conquistamos duas medalhas de ouro no primeiro Torneio ANOLD CLASSIC JUMP ROPE, realizado na África do sul (Johanesburg) e tornamo-nos campeões deste grande evento internacional com o apoio da mkesh.
- 2016 – Fizemos história ao conquistar pela segunda vez o campeonato mundial que se realizou em Portugal, onde desde já agradecemos ao Nosso Banco, Irismed, ZAP, Bolsa de valores de Moçambique, Ginásio Physical, Ginásio Mcel, Ginásio Sammys, Federação Moçambicano de Ginástica e muitos outros que nos ajudaram a defender o nosso titulo.
- 2015 – Em Julho fomos campeões mundiais da salto a corda em paris (Franca), agradecemos a federação francesa de salto a corda, Ginásio Physical, Mcel, Nosso Banco e a Faculdade de Educação Física e Desporto pelo apoio e pela confiança que depositaram em nos, fizeram parte deste campeonato 23 países de todo o Mundo.
- 2014 – Em Fevereiro participamos do campeonato internacional de Double Dutch em Paris (Franca) pelo convite da federação francesa que pagou todas as despesas desde o transporte ate a alimentação, e apoio da federação de Ginástica de Moçambique neste campeonato participaram cerca de 14 países dos quais 2 eram africanos, onde ficamos em segundo lugar em duas provas.
- 2013 – Elves Tembe foi competir com seus próprios fundos e apoio da Federação da ginástica de Moçambique no campeonato GYM GAMES África do sul (Durban) onde ficou em 5 lugar.
- 2012 – Fizemos parte de uma equipe que ficou em 3 lugar num campeonato mundial de Ginástica Geral com apoio da Federação de Ginástica de Moçambique e Ginásio Physical
- 2012 – Com apoio da Federação de Ginástica de Moçambique 2 elementos participaram do Torneio GYM GAMES em pretoria e ganharam 4 medalhas 3 ouro e uma de prata
- 2011 – Com Ajuda da Federação de Ginástica de Moçambique um elemento do grupo participou de um torneio em Durban que ganhou 3 Medalhas de ouro.
- 2011 – Participamos de um Campeonato internacional de Double Dutch na Franca com apoio da Federação Francesa e Federação de Ginástica de Moçambique, onde ficamos em 14º e 11º lugar.
Em Anexo algumas imagens


Bibliografia
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- Entrevistas feitas – Edmndo Ribeiro, MussaTembe, Kishua Mauricio e Aristides Nandza.
- http://www.verdade.co.mz/tema-de-fundo/35-themadefundo/54363-mocambique-e-campeao-mundial-de-salto-a-corda-
- Revista Idolo -Ano 6 – Edição No 38 – Abril/Maio de 2016
- http://www.verdade.co.mz/desporto/34152-ginastica-a-modalidade-condenada-a-sobreviver
- FlikFlak NL Abril 2013

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